Z E N I T
Bem vindo! Após as características técnicas nesta página conto como descobri a Zenit e porque continuo a usar uma. Quais as vantagens e desvantagens e também alguns links impecáveis a sites sobre Zenit.

Zenit-12xp com Jupiter-9 Manual da máquina Zenit-12XP
Manual da máquina Zenit-122
Manual do fole de extensão PZF

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Características Técnicas

Há basicamente dois tipos de Zenit's. As Zenit's "simples" com obturador de 5 velocidades completamente mecânico e as Zenit's "electrónicas" (não tratadas nesta página), com uma gama completa de velocidades de obturação e controlo electónico do obturador. Ambos os tipos de máquinas existem com o encaixe de rosca M42 ou de baioneta Pentax K.

As seguintes características técnicas servem para a Zenit 12, 122, 312, 412.

Formato 24 x 36 mm2; utiliza película de 35 mm perforada. Número máximo de fotografias: 36.
Obturador Obturador localizado no plano focal, feito de pano (seda vulcanizada), de movimento horizontal (da direita para a esquerda), controlado mecanicamente com velocidades de 1/30 a 1/500 seg. + B
Fotómetro Sistema de LED's no visor. Gama de sensibilidade entre 16 e 640 ASA. Alimentação: duas pilhas de 1,5V do tipo LR44, Mallory-D386.
Objectiva standard Dos modelos mais antigos para os mais recentes Helios-44M-4, Helios-44M-6, Helios-44M-7, Zenitar-M2, Zenitar-M2s.
Peso de quase 1 kg a pouco mais de 500 g, nos modelos mais recentes.

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E então? Porquê uma Zenit?

Começar começou no seio familiar... :

Tive pela primeria vez uma Zenit nas mãos quando era miúdo, na altura em que o meu irmão mais velho resolveu empenhar as suas economias numa boa máquina fotográfica. Entre a Zenit e a Praktica, as mais baratas do mercado na altura (~1991), a Praktica tinha mais funções mas a Zenit era mais em conta. A escolhida foi a Zenit 122, num kit que incluiu um zoom telefoto e um flash, pelo preço de uma Praktica BMS sem mais acessórios.

Zenit-122

Foi um delírio! Nunca tinha sentido uma "máquina a sério", uma SLR em que estamos a ver mesmo o que estamos a fotografar, com capacidade de focar perfeitamente o sujeito (ou objecto) e de usar um flash decente. Podíamos até mudar as objectivas, colocar uma telefoto e ver as cenas lá longe como se estivessemos lá ao pé! :-) Era divertido, a máquina tinha estilo e os resultados impressionavam a loja de fotografia onde mandávamos revelar os rolos.

Depois da fase de contacto vieram os tempos do técnico. Sempre contei com a generosidade do meu irmão para usar a máquina quando quisesse e no Núcleo de Arte Fotográfica aprendi a revelar a preto-e-branco e um pouco sobre fotografia em geral. A Zenit foi óptima para isso porque é uma máquina onde "tudo" é controlável e tem um bom fotómetro: ferramenta preciosa de apoio à decisão em relação ao ajustamento dos controlos -- velocidade e abertura. A foto seguinte é uma das minhas primeiras fotos a preto-e-branco.


Giribéus

Antes de ter internet fácil não sabia praticamente nada sobre a Zenit. Sabia que tinha sido feita na URSS, que era barata e que os resultados eram bons. Poderiam até chocar os orgulhosos detentores de máquinas reflex, boas, provenientes dos habituais e conhecidos construtores japoneses. Tinha a noção que no bloco de Leste também havia profissionais de fotografia e imagem e que naqueles países também se realizavam trabalhos gráficos ao mais alto nível. Naquele mundo paralelo, alternativo e relativamente fechado, as máquinas SLR eram as Zenits (e também Praktica, Exa, Kiev, Almaz... e também Zorki, Fed, Leningrad...). E eram baratas porque
  • eram pouco sofisticadas
  • publicidade praticamente inexistente
  • motivos políticos
  • má fama
No entanto quando a altura chegou em que eu fui comprar uma máquina não tive dúvidas: foi uma Zenit. Depois de um longo namoro através de uma vitrine :)

Zenit-12xp com Zenitar-M2s

A má fama das Zenits nunca me incomodou. Devido ao surgimento do digital as máquinas de fotografia química têm aparecido ao preço da chuva e o meu gosto por máquinas do leste tem vindo a saciar-se: Zorki, Fed, Kiev... Mas também tenho podido adquirir máquinas conceituadas, como por exemplo Mamiya e Nikon, o que me permite ter um termo de comparação. Os pontos fortes aceites da Zenit são:
  • ópticas excelentes
  • robustez
  • fiabilidade
  • simplicidade de construção
  • bom fotómetro
  • baixo preço e facilidade de reparação ("facilmente" desmontável, reparações de baixo custo).
Tomei conhecimento, no entanto, dos seus pontos fracos. Comummente (sim, esta palavra escreve-se com duplo m) aquilo que em resumo se consideram ser os pontos fracos das Zenits mais comuns (...E, 12, 122, 312, 412) em relação a outras máquinas do segmento SLR manual sem autofocus são:
  • gama limitada de tempos de obturação
  • baixa velocidade de sincronização flash
  • visor cobrindo uma área demasiado grande em relação ao fotograma
  • visor algo escuro
  • mau controlo de qualidade na fábrica (ou são muito boas, ou são muito más)
  • demasiado plástico nos modelos recentes.

E então, porquê uma Zenit?

  1. Nem sempre preciso das velocidades baixas. Não havendo um tripé por perto raramente me fazem falta. Quando fazem uso outra máquina como por exemplo a Fed5C ou a Zorki-4k. Mais a mais, com o "B" já se faz muita coisa, com tripé é claro.
  2. A baixa velocidade do flash não é crítica. Evito evitar usar telefotos com flash. Mas também, tendo em conta a capacidade de iluminação da esmagadora maioria dos flashs de nível amador uma telefoto não é algo que seja eficaz considerar a nível de fotografias de conjunto. É muito subjectivo mas flash's com tempos de obturação muito curtos produzem um imagem ligeiramente mais "deslavada", na opinião de alguns profissionais (eu não consigo ver a diferença).
  3. Em relação à área do visor, de facto, é uma desvantagem, mas não é morte de homem: continua-se a enquadrar bastante bem, só é preciso dar um desconto maior do que o habitual. Até é uma segurança por causa das margens.
  4. Quanto ao plástico há que dizer que mesmo nos modelos recentes ele só está por fora. O châssis continua a ser metálico e bem metálico. A uma cobertura de plástico é possível dar uma forma mais ergonómica e reduzir o peso da máquina. Nas outras marcas há bastante mais plástico.
  5. Quanto ao controlo de qualidade há que dizer que realmente podia ser melhor. Mas as máquinas não são caras e caso se tenha feito negócio com um vendedor honesto a garantia é uma garantia a sério. Se a máquina tiver uma proveniência obscura, mesmo que seja preciso comprar outra, continua a ser um bom negócio.
Além do mais:
a) as máquinas são lindas (ok ok... factor coração...).
b) são construtivamente simples e elegantes
c) tem-se acesso a uma panóplia de objectivas excelentes no sistema de rosca M42 (russas, japonesas, alemãs...) que se encontram ao preço da chuva
d) já saíu a Zenit KM (para quem gosta delas mais complicadas), que não tem nenhuma das desvantagens acima referidas, com excepção do controlo de qualidade (para os mais cépticos...)

Resumido e baralhando: uso Zenit porque as objectivas são muito boas e tenho capacidade económica para de facto tê-las e usá-las. Nenhuma das desvantagens me afecta negativamente e não preciso de equipamento para me exibir. Foi a 1ª máquina que tive e na altura era a única que podia ter, mas nunca tive problemas com ela. É um "cavalo de trabalho": ninguém dá nada por ela mas faz o trabalho melhor que ninguém!

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Links

Entusiastas

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Fabricantes de máquinas Zenit e acessórios para o sistema Zenit

KMZ (Krasnogorsk, Federação Russa) - este complexo industrial é o principal local de origem das máquinas Zenit e de muitas objectivas.
Centro de investigação da KMZ (Krasnogorsk, Federação Russa) - este site possui arquivos com muita informação útil. A maioria está em russo.

Belomo (Vileika, República da Bielorússia) - nesta fábrica também se fabricam Zenit's.

LZOS (Lytkarino, Federação Russa) - objectivas.

VOMZ (Vologda, Federação Russa) - objectivas.

Novacon (Brasil - em parceria com a Belomo e Fotopribor - adaptadores stereo. Máquina Vertex.)





Laranjeiro, Portugal
Agosto de 2004


© Francisco Duarte
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